Concluído o resgate de mais de 100 mil peças arqueológicas na região da UHE Jirau

26-06-2012 09:18

 

 
Material está sendo analisado em laboratório para saber idade e características dos povos que viveram na região do médio Madeira
 
Um acervo de cerca de 100 mil peças arqueológicas, entre artefatos cerâmicos (urnas funerárias, vasilhas, adornos, utensílios rituais), material lítico (lâminas de machado, raspadores, lascas), sedimentos e outros materiais, foi identificado e catalogado na área do futuro reservatório e proximidades da Usina Hidrelétrica Jirau. É o resultado de dois anos e meio de trabalho em campo do Programa de Prospecção e Salvamento do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural desenvolvido desde 2009 pela Energia Sustentável do Brasil, empresa responsável pela construção e operação da Usina.
 
As atividades envolveram uma equipe de mais de 90 profissionais, cerca de 15 arqueólogos, 10 historiadores, 6 geógrafos, 4 antropólogos, 20 técnicos de arqueologia e mais de 40 colaboradores com diversas funções. O Programa é coordenado por Erika Marion Robrahn-González, da empresa DOCUMENTO. Graduada em História, com mestrado em Antropologia Social e Doutorado, Pós Doutorado e Livre Docência em Arqueologia (todos pela Universidade de São Paulo), Erika González tem trabalhos reconhecidos nacional e internacionalmente. Coordenou mais de 400 projetos de pesquisa em todo o território brasileiro e participa de diferentes comissões científicas incluindo a Comissão “Archaeological heritage policies and management structures on a global level”, que integra 10 países de 4 continentes.
 
Segundo a coordenadora do Programa, durante as pesquisas na área da UHE Jirau foram encontrados 45 sítios arqueológicos, entre ambientes com material cerâmico e com gravuras rupestres. “Cem por cento desses sítios foi pesquisado e resgatado, assim como todos da área do futuro reservatório e de influência da obra, foram prospectados, com levantamento, resgate e catalogação dos materiais”, revela Erika González.
Como resultado, obteve-se um acervo de mais de 100 mil peças, que agora estão sendo trabalhadas em laboratório. Entre elas, cerca de 100 urnas funerárias e vasilhas cerâmicas inteiras ou semi-inteiras, retiradas do subsolo, sendo que 40 delas estão passando por um complexo trabalho de reconstituição, seguindo uma técnica francesa para, ao final do processo, formar cenários em museus e exposições. “Todas estão sendo trabalhadas, mas em cerca de 40 delas estão sendo aplicadas técnicas não só de restauro como também de reconstituição de forma a contar com exemplares inteiros que permitam melhor fruição por parte da comunidade e futuros visitantes do Museu”, explica a arqueóloga.
 
Também foram resgatados durante as escavações 16 blocos de pedra contendo gravuras rupestres, que pesam mais de 1000 kg cada um, retirados de sítios arqueológicos. Esses, ao término dos estudos, além de constituírem exposições museológicas voltadas à arte rupestre, integrarão um circuito cultural que está sendo montado pela Energia Sustentável do Brasil, visando divulgar as técnicas de gravuras e indicativos de quem eram esses grupos que executavam os desenhos.
 
De acordo com a coordenadora do programa pela ESBR, Cirlene Furini, hoje as peças estão nos laboratórios de arqueologia em Nova Mutum Paraná, onde permanecerão até a montagem da exposição para que a comunidade local possa conhecê-las, receber o conhecimento gerado pelo Programa e os resultados das pesquisas. E, no futuro, todo o acervo de Jirau será encaminhado para a guarda final que está sendo negociada em parceria com a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). “A proposta é a construção de uma reserva técnica na UNIR. Quando essa obra estiver pronta, todo o material que foi resgatado vai para a universidade constituir uma exposição permanente”, informa Cirlene.
O trabalho de laboratório para analisar as mais de 100 mil peças e reconstituir as que foram selecionadas deve durar pelo menos mais um ano, quando será possível contar com o conhecimento final do Programa.
 
Oficinas culturais
 
Parte do acervo e das técnicas utilizadas para o resgate das peças já foi levado à comunidade por meio de oficinas culturais de divulgação e de integração de conhecimentos, ministradas pelos profissionais do Programa. Mais de 25 mil pessoas foram abrangidas pelas atividades, que englobaram todas as escolas de Jaci Paraná, de Nova Mutum Paraná, assim como as escolas da antiga Mutum na época, além de associações e grupos que foram identificados nessas localidades e dos trabalhadores do canteiro de obras da Usina.
 
Internet
 
O acervo também pode ser conferido através do blog http://documentoculturaljirau.ning.com/, que serve como ferramenta de interação e conhecimento, mostrando o cotidiano das comunidades onde foram realizados os estudos. “Através do blog, ampliamos o contato com as comunidades, colhemos recomendações e recebemos materiais; alunos e professores solicitam informações para trabalhos, enfim, é uma ferramenta de interação do Programa com a comunidade”, diz a arqueóloga coordenadora do Programa.
 
Desde que entrou no ar o blog já recebeu mais de cinco mil acessos da comunidade local e visitantes de mais de 30 países.
 
Publicações
 
Com o resultado das pesquisas, a equipe de Arqueologia está produzindo uma cartilha patrimonial voltada ao público infantil, que será publicada, distribuída e disponibilizada na internet para download. Já foi feita uma primeira publicação sobre o Programa com o livro “Memórias de Rondônia – Povos e Culturas do Rio Madeira”, sobre o processo de ocupação de Rondônia, lançado em junho de 2011, e com as outras publicações previstas para a divulgação da conclusão dos estudos. Este livro pode ser acessado por download e, também, lido no formato E-book no http://arqueologiapublica.com.br/e-book/ .
 
 
 

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