O boom da Arqueologia no Brasil

25-04-2012 11:29

 

A cientista Dra. Erika Robrahn-González fala sobre o atual momento da Arqueologia no País, em entrevista para a Revista Quanta

A edição de fevereiro da “Revista Quanta - Ciências da natureza e suas tecnologias”, da Editora Segmento, traz reportagem sobre o boom da Arqueologia no Brasil. A matéria “A Hora e a Vez da Arqueologia”, assinada pela jornalista Alessandra Simões, faz uma análise do atual momento da arqueologia no País, revela quais são as principais polêmicas e desafios que envolvem o setor, além de explicar o processo do “arqueobusiness” e expor projetos que estão sendo realizados para a difusão da arqueologia pública ou participativa com as comunidades.

A íntegra da reportagem está disponível apenas para assinantes na página oficial da publicação: http://www.revistaquanta.inf.br/?p=262 .

A sócia-diretora da Documento Ecologia e Cultura, Dra. Erika Robrahn-González, foi entrevistada para a matéria especial. Dentre suas principais citações, falou a respeito da portaria 230, do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), instituída em 2002, e considerada o maior marco do setor. A legislação surgiu para regulamentar a prática da arqueologia nas etapas do licenciamento ambiental, exigindo pesquisa arqueológica antes da construção de qualquer empreendimento. “Muita coisa já vinha acontecendo desde 1980. Mas este foi o grande momento. Com ela, as exigências junto aos grandes empreendimentos cresceram muito. Toda obra, desde pequenos aterros sanitários a postos de gasolina, precisa passar pela fase de investigação arqueológica”, explicou Dra. Erika Robrahn-González, em entrevista para a Revista Quanta, ressaltando que a arqueologia brasileira passa por um momento de excelência. “Isso tem projetado o Brasil lá fora. Tenho participado de muitos eventos em que somos citados como referência”, afirmou.

A reportagem também transita pelo campo da Etnoarqueologia. A matéria explica que o conceito foi estabelecido pelo Iphan devido aos muitos sítios arqueológicos terem conotações míticas e simbólicas para as sociedades indígenas. Neste sentido, a publicação cita o “Programa de Patrimônio Cultural da PCH Paranatinga II, Arqueologia Colaborativa/ MT”, um dos projetos que conta com a atuação da Documento para o seu desenvolvimento. Desde 2005, o programa tem como objetivo contribuir para um maior conhecimento, valorização e preservação dos aspectos históricos e culturais dos povos indígenas do Alto Xingu. Para saber mais visite o blog do projeto: http://oficinaxingu.ning.com/

Este trabalho propiciou o tombamento, em 2008, das áreas sagradas do Sagihengu e do Kamukuwaká, durante o processo de licenciamento ambiental da usina hidrelétrica Paranatinga II, em Mato Grosso. Na segunda fase do programa, agora em andamento, estão sendo feitos estudos para elaboração de um projeto de Corredor Cultural para ligar a área ao Parque Nacional do Xingu. “Este foi um caso clássico de como estamos atuando com o conceito de arqueologia pública, isto é, trabalhando sem hierarquias entre a comunidade e os cientistas. Consideramos os indígenas como cientistas cidadãos”, afirmou Dra. Erika em entrevista para a Revista Quanta.

A sócia-diretora da Documento Ecologia e Cultura comentou ainda a respeito das mudanças de paradigmas diante das descobertas de sítios arqueológicos em grandes centros urbanos. “Até o ano 2000, a própria academia e o Iphan entendiam que em ambientes já muito alterados não seria mais possível desenvolver a arqueologia. Em 2001 e 2002, com o Rodoanel Oeste, em torno de São Paulo, encontramos 36 sítios. Aí, este paradigma começou a mudar”, disse Dra. Erika Robrahn-González.

A matéria também cita a atuação da Documento em iniciativas que visam envolver as comunidades em seus projetos a partir do conceito de arqueologia pública. Neste sentido, algumas imagens do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural da Usina Hidrelétrica Jirau, em Rondônia, foram publicadas na página 55 da revista. Já o site www.arqueologiapublica.com.br é citado ao lado de foto do projeto do Rodoanel Oeste (página 57 da Revista Quanta).

Há referências para a iniciativa em Santos, por exemplo, onde a Documento desenvolveu amplo programa que integra alunos e professores no conhecimento arqueológico. “Todo projeto tem começo, meio e fim. Então, esta é uma forma de dar uma continuidade na busca da sustentabilidade do conhecimento”, afirmou Erika Robrahn-González na matéria. A sócia-diretora da Documento Ecologia e Cultura relembrou, ainda, uma importante atuação da organização na cidade de Peixe, em Tocantins, onde houve forte trabalho pedagógico com as escolas da região, sendo que as delegacias de ensino locais acabaram por repercutir a iniciativa em outras instituições mais distantes. Para saber mais sobre esta ação visite: http://documentoculturalpeixe.ning.com/ .

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